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Por terras maronesas

por aquimetem, em 06.10.10

          Há muito tempo que não visitava Travassos, esta aldeia do Bilhó que o rio Cabril ou Mestas rega. Voltei a fazê-lo no inicio de Agosto, aproveitando uma deslocação de Vilar de Ferreiros a Vila Real  (via Lamas de Olo) para assim mais uma vez matar saudades dos meus tempos de criança em que, com frequência, a pé ou ao colo de minha saudosa mãe  percorria os cantos dessa simpática aldeia da montanha maronense e na hospitaleira casa da também já saudosa  Ti Ninfa de Travassos me demorava a brincar.

                          Poça de Travassos

           Fiquei encantado com o seu património arquitectónico devidamente restaurado, e em adequados cartazes identificado. Um placar no desvio, em  Celas, a recomendar aos turistas que para entrar em Travassos de autocarro só indo à volta pela aldeia do Covelo, ficava ali muito bem, pois é sabido que pelo lado de Celas só lá se chega em carro ligeiro. Fica a recomendação.

           Depois da visita à capela de Santa Bárbara e  do passeio pelo centro da turística aldeia, foi o regresso de volta à estrada principal para prosseguir em direcção a São Cristóvão de Parada de Cunhos, onde desta vez nem oportunidade tive de cumprimentar o famoso numismata de craveira internacional, Sr. Padre João Parente, pároco da freguesia. O propósito nesse dia era ajudar a dar cabo de um leitão que "caçado" na  Régua, veio ainda muito quentinho parar a casa da minha mana Amália, pelas mãos do meu cunhado Reis e do enfermeiro Rui a quem coube a tarefa de com mestria o retalhar. Foi um almoço familiar que além do mais valeu pelo convívio e ocasião para uma "africana" alfacinha regressada de Angola conhecer as primas Isabel e a Liliana, esposa do Mário P. Cabral. 

           Aqui se deu cabo do leitão e dos molhos de videira....

           Para o café e digestivos da ordem, que nestes momentos de animação fazem parte do cardápio, foi escolhida a vizinha Quinta de São Miguel, cuja sua antiga capela, hoje fechada ao culto, pertence a D. Dinora Guedes Lousa, proprietária do restaurante Toca do Lobo.     

          Tendo o evento ocorrido em maré de incêndios florestais as conversas nessas ocasiões rondam todas á volta desse assunto. No vídeo pode apreciar-se uma dessas facetas à mesa da esplanada da Toca do Lobo. Também, como o Manuel Reis, eu pergunto: Porquê?   

          "Merenda comida, companhia desfeita", diz o povo. Também assim aconteceu comigo. Era sábado e no domingo, dia 8, havia festa em Vilar de Ferreiros (Vilarinho) à qual eu desejava assistir; por isso não houve ceia ou jantar para mim, em Parada. Mas de regresso ao ponto de partida tive tempo para em Lamas de Olo dar uma saltada a Dornelas, povoação do planalto maronês (Parque Nacional do Alvão) onde a pesar de algumas violações arquitectónicas ainda se vêem muitas casas de pedra com telhados de colmo. É uma das aldeias do Parque que o Parque bem pudia ajudar a melhorar mais em termos de aproveitamento turístico.    

 

Capela de Nossa Senhora dos Remédios

          Desta aldeia serrana pouco sei da sua história passada, por isso me sirvo de um comentário do Dr. Domingos Teixeira Mesias feito no "Portugal,  minha terra"  em 18 de Setembro. de 2007 a um post que fiiz à volta de Mons. Ângelo Minhava. Conta o Dr. Domingos: "Queria trazer aqui a informação doutro ilustre conterrâneo do senhor Padre ("pai") Monsenhor Thomás Peixoto foi ordenado pela Diocese de Braga e na sua casa paroquial nasceu em 889, a minha bisavó materna. Patrocinia Dias Peixoto. Esta instruída senhora deixou memória de vida e descendência numerosa em Dornelas, Lamas d'Olo"

          No vale do Olo, onde o granito abunda e as águas que  regam e fertilizam os lameiros também, tanto o gado maronês, como o mular, burros e cavalos,  tem ali espaço privilegiado. Nesse cenário a aldeia de Dornelas é um bom exemplo do uso dessas potencialidades naturais evidenciado na construção da casa e na tradicional exploração agro-pastoril.    

          Os telhados de colmo (palha de centeio) ainda hoje podem ser admirados em Dornelas  

          Um espaço de plantação e sementeira agrícola tendo por fundo uma imagem da construção urbana de Dornelas

          Aqui duas turistas detêm-se a fotografar um asno, que agora pachorrentamente se deixa fotografar depois do susto  que ainda na véspera deve ter apanhado com  o terrível incêndio florestal que rondando a aldeia queimou grande parte da montanha.  Os sinais são bem visíveis na foto e no terreno ainda vi sinais de fogo vivo.  

          De regresso e já no concelho de Mondim foi a vez da  Anta, o desvio até ao centro da aldeia é curto, poucos metros. Desci até lá para ver a capelinha de São Jorge que Camilo connheceu, e cita em Doze Casamentos Felizes, servindo-se para tal da boca do "Ladrão da Anta": " - Já sabe que a minha aldeia é Anta, na serra, a duas léguas de Vila Real. À saída do povo está uma capela e num outeirinho, à esquerda,  está um cardenho. Vive lá a minha irmã Maria".  Romance é romance, mas quer em Memórias do Cárcere, quer em Doze Casamentos Felizes, Camilo revela que esteve na Anta, assim: " A Anta é um paraíso terreal onde os lobos passam pelos habitantes e os habitantes passam  pelos lobos, como nós pelos cãezinhos de regaço.

          Lá estive eu no dia 20 de Agosto de 1860,  comendo a meias com o  meu cavalo  um vintém de pão negro que um lavrador me  vendeu compadecido , por  me ver a fome  estampada no rosto e o cavalo arqueado e melancólico como  chorão de cemitério." 

          O tanque duma aldeia histórica e... integrada no Parque Nacional do Alvão

          O fontenário publico da mesma aldeia integrada no dito Parque  

          E a dita capela que Camilo cita e conheceu. A capelinha de São Jorge. Sinais de antigas tradições e culturas!  

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publicado às 12:11


4 comentários

De mg a 12.10.2010 às 12:24

-"Merenda comida, companhia desfeita!" - -Olha que novidade!...Com o conterrâneo é sempre assim.
Com que então, saudades das origens...isto dá logo apartir dos 47 e tais, de idade...Vê como é bom andar pelo torrão natal?!
Deve conhecer muita gente de «têres»...leitão caçado na Régua, não é para toda a gente...
Vossemecê está muito bem no video...
Lindas paisagens, té o burro está a condizer, só é pena o escuro dos fogos...
Não sei como é, que sempre descobre umas capelinhas para a fotografia e logo juntinho, uma mesa bem recheada e com esplanada ao ar livre.
É como os do Estado, sabe cuidar-se e vai visitando os locais de "culto"...!
Anda sempre lendo o Camilo está visto...
Também andei aqui pela Anta, logo passado uma semana...
Parabéns por trazer aqui o coração transmontano!

De aquimetem a 15.10.2010 às 10:25

Também por lá andou? Não sei porque anda sempre a louvar as minhas fotos e não mostra as suas, será que não tem máquina...Quanto ao vídeo não me diga que me confundiu com o jumento...de Dornelas. Sou admirador de Camilo, mas já me deixei há muito de ler novelas, apenas o consultei. Obrigado pelo comentário.

De domingos a 17.11.2010 às 17:02

Da descendência de Patrocinia Dias Peixoto ainda habitam dois netos em Dornelas, meus tio e tia, aquele que habita a «casa da eira», e esta que habita na «tapada». Duas dessas «novas casas» da povoação pertencem a primos meus, bisnetos comigo dessa mesma senhora. Dos filhos (onze) que essa senhora teve, que com ela já Deus tem, existe descendência em Ermelo (Mondim de Basto), Pepe (Campeã), Outeiro (Telões-Vila Pouca de Aguiar), Povoação (Vila Pouca de Aguiar), Brasil e Estados Unidos da América.

De domingos a 17.11.2010 às 17:08

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1312074135125&set=a.1024136496864.4582.1628797247

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