Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Entrar no Tâmega

por aquimetem, em 22.10.10

          Há muitos anos que não fazia o trajecto que de Vilar de Ferreiros pela encosta da serra de Ordens e da granítica Alvadia conduz ao planalto do verdadeiro Alvão. Pelo Covelo, simpática aldeia da freguesia de São Salvador do Bilhó, deixei o concelho de Mondim de Basto para entrar, por Macieira, no de Ribeira de Pena.

          Macieira é uma airosa povoação  da freguesia de São João Baptista de Limões, e como as demais aldeias da  freguesia apostada na protecção do seu harmonioso e rico património tradicional.   

          Já depois de Macieira, ainda na meia encosta da serra de Ordens,  esta panorâmica com o Monte Farinha lá ao longe, como pano de fundo, é admirável !

          Assim como esta, recolhida no mesmo sítio, a caminho de Alvadia, mostrando ao fundo os encantos do vale do Tâmega, e também do Póio que o  Louredo engole antes de chegar à sua foz.

          Todo o trajecto de Macieira a Alvadia oferece uma espectacular panorâmica desta zona de transição entre Trás-os-Montes e Minho e que  o  Tâmega a partir de Ribeira de Pena, oposta a Cabeceiras de Basto (Minho), até Mondim, oposto a Celorico de Basto (Minho) delimita administrativamente. 

          Também no terreno a paisagem forte do granito seduz e o encanto aumenta quando nos aproximamos do fraguedo por onde  ligeiras correm as águas cristalinas do rio Póio. Rio que nasce na serra de Alvadia ( área  de Lamas) e descendo monte abaixo vai ao fundo da vila de Cerva desaguar no rio Louredo que o conduz ao Tâmega.   

          Pese o desvio que fizeram de uma parte do caudal para um reservatório donde entubada a água desce pela encosta, fazendo lá no fundo mover uma pequena turbina - eléctrica que não sei se ainda  funciona, o Póio nem assim perdeu a sua importância hidrográfica que no Cai d'Alto e Poço do Inferno, já em terreno de Cerva, tem o seu expoente máximo.

         É uma referência, um  selo de mais valia para o turismo de montanha que Alvadia deve explorar. É algo similar às Fisgas de Ermelo, com a diferença da rocha num sítio ser de xisto e noutro de granito.  

 

        O objectivo do passeio era só matar saudades da serra que há muitos anos trilhei. A ultima vez foi no inicio da década de 50, de Vilar de Ferreiros a Goivães da Serra, quando ainda não havia estrada, nem luz eléctrica. O que então demorou quase um dia a percorrer, hoje faz-se em  pouco mais duma hora. Isto a medir pelo tempo que demorou a chegar junto à igreja paroquial de Santa Cruz de Alvadia: saímos de Vilarinho cerca das 10h00 e depois de várias paragens pelo caminho, não era ainda meio dia e já ali nos encontrávamos.

         Alvadia é uma freguesia do concelho de Ribeira de Pena, formada por três lugares: Alvadia, Favais e Lamas.  

          Um dos propositos que vinha em agenda era almoçar aqui, para isso atempadamente se escolheu o prato e marcou a hora. Outro era cumprimentar um ilustre alvadiense que muito respeitamos, o Sr. Padre Fernando José da Costa, tio dilecto dos proprietários do Café-restaurante onde se almoçou. A saúde do bom sacerdote não lhe permitiu fazer-nos companhia, mas em sua casa recebeu o nosso abraço. Para os donos do Café, D. Maria dos Anjos e Norberto Costa os meus parabéns pela arte de bem receber e servir.       

         Pela "ponte dos Rolos", com destino a Goivães, deixamos a sede da freguesia, aproveitando para  junto à sua ponte tirar algumas fotos e assim nos despedirmos em beleza do Póio (não Poio) e da bucólica aldeia de  Alvadia. Local muito procurado por banhistas de perto e longe que no Verão aqui se vêm refrescar, e no Inverno também pelos amantes dos desportos radicais, a canoagem, dado as boas condições à prática que o rio em certos pontos oferece. Além de alguns banhistas  tivemos ocasião de admirar as muitas e curiosas "piocas" ou "marmitas de gingante" que na rocha granítica as águas do Póio ao longo dos séculos cavaram  no  leito do rio. Vale a pena ver.    

          Muitos são, aqui à volta, espaços como este, azados para tempos de  lazer e distracção aquática. E nós só não aproveitamos  porque a jornada era comprida e ainda só ia a meio... Pela mesma razão ficou por visitar Favais, com a sua capelinha de Santa Luzia e a  famosa "Pedra de  Favais"; assim como Lamas, a maior aldeia da freguesia e que tem Nossa Senhora dos Remédios por padroeira. Não visitei Lamas, mas entretanto ao passar na estrada ao lado parei, para dali saudar a aldeia que a pé e descalço há muitos anos atravessei. 

          A meta agora era Goivães da Serra, onde pela decadente aldeia do Pinduradouro, entrei na freguesia.   

          São Jorge de Goivães da Serra é uma freguesia do concelho de  Vila Pouca de Aguiar situada na serra do Alvão, a 10 km a sudoeste da sede do concelho. Inclui os seguintes lugares: Goivães, Pinduradouro e Povoação.    

          Alcançada a meta desejada, nada como depois de cumprimentar São Jorge ter este cão-pastor por anfitrião, a fazer-me relembrar os tempos em que durante cerca de um mês nesta terra fui pastor. E com  dois companheiros semelhantes a este por mais que uma vez afugentamos o lobo ibérico que esfomeado teimava atacar as 220 reses (ovelhas e cabras) que me estavam  confiadas.

          Foi uma romagem de saudade ao centro  do verdadeiro Alvão que cedo pisei e conheci. Regressando mais enriquecido e confortado com a beleza natural que esta incursão pela montanha me proporcionou. 

          Por Santa Marta da Montanha deixei o concelho de Vila Pouca de Aguiar para voltar ao de Ribeira de Pena, e após um café na vila descer ao lugar de Agunchos (Cerva), para dali ver, lá ao fundo, o Louredo a entrar no Tâmega.     

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:22


6 comentários

De mg a 25.10.2010 às 18:38

Não sabia que foi pastor...É assim que ficamos preparados para a vida, seja o que for que nos apareça.
A vivência diversificada e rica de experiências, é que é a verdadeira cultura, a verdadeira escola...
Não vou dizer bem destas fotos todas que aqui estão, pois o senhor já fica aborrecido de me ouvir dizer: "Que lindas!"- então vou só dizer que ainda bem que pôs cá estas gravuras, pois eu não conhecia nada do que aqui está...e mais nada.
Já percebi , que realmente é barra em toponímica...
As férias foram muito bem aproveitadas.
Muito grata pela incursão ao Minho e Trás-os-Montes, pela parte que me diz respeito.Deus o ajude!
Abraço.

De aquimetem a 30.10.2010 às 09:58

Mas quem alguém na minha terra e geração não foi pastor? Até a maioria dos mondinenses que não tinham criados ,"moços", o foram, caríssima mg! Se não conhece recomendo-lhe esta incursão pela serra arriba e num dia com vagar . Depois passe por Ribeira de Pena, Caves, Agunchos , Atei e vá comer umas cavacas com a receita do Guilherme de Mondim aonde houver, até pode ser no Silva. Bem haja

De mg a 30.10.2010 às 11:06

Pronto! -Por este andar ,com a falta de dinheiro e que estes abutres do Estada comeram, já nem me preocupo: vou guardar gado! Não me contraria nada andar neste interior, nadinha. Lembrou muito bem...sachola para mim é pesada, faz doer os rins, assim que, vamos a isto.
Ora , então cavacas do Sr Guilherme, ou das sua filhas agora, e vinho do fino(porto) é comigo.Sejam de Atei, sejam de Mondim.
Depois uma visitinha ao Iteiro, a seguir , ao fim do dia um grande banho na piscina da zona verde ou no Tâmega e, ou, no Cabril...tamos no céu!!- "Bamos nessa".
Aqui a "Caríssima" fez-me lembrar o seu amigo JTS...ao tempo que ele não vem cá...
Desde que o livro dele sobre a históriado futebol de Mondim de Basto foi anunciado pelo Marcelo Rebelo de Sousa...tornou-se um senhor de fora dos blogs...
um "socialaite"! -Grandes mondinenses!!!

De aquimetem a 30.10.2010 às 13:00

Agora é que eu digo: Não seja mazinha! O nosso comum amigo JTS merece ser assim denunciado numa blogada destas? Santo Deus! Então ainda tem memória do tempo da sachola? Eu creio que ainda tenho calos...Banhos tomei poucos nos nossos rios as ocupações não davam oportunidade. Azar de ser montanheiro, mas cavacas do saudoso Guilherme, que ainda conheci a morar em Fermil , comi muitas. Não puxe pela língua ao JTS senão a agulheta dos Voluntários funciona...Um abraço

De jts a 01.11.2010 às 16:22

Bom... eu sei que é só amizade e tanto carinho que têm por este velho, que não sei como pagar tanta simpatia.
Têm toda a razão do mundo por eu andar arredado destas lides, mas a verdade é que, ultimamente tenho andado muito preocupado com outras coisas, que nada tem a ver com a nossa relação de amizade.Enfim... outros assuntos.
Acabo de chegar do cemitário, onde fui visitar os meus pais e rezar também um puoco pelos meus amigos que já partiram deste mundo.
A cidade eterna, mais parecia um dia de mercado, onde se vendiam flores e velas por todos os cantos. Mas, isso também é bom, porque assim as pessoas não têm necessidade de trazer as flores para lembrar os seus ante-queridos de casa. Aqui encontram tudo.
E por paradoxal que pareça, ali fui encontar alguns vivos que já não via há muito tempo; e reparei nas campas de alguns mortos, que julgava que ainda estivessem vivos...! Que fraca memória a minha...
Para penitência, acabei a rezar por todos.
Quanro à observação altamente positiva que a minha querida amiga "Maria da Graça", faz às fotos e aos sítios que o "Costa Pereira" visitou, isso é normal nesta criatura de Deus; sempre que vem para estas paragens, a máquina fotográfica e a caneta, sempre o acompanham. Só assim e até por isso nos tem sido possívem conhecer tanta coisa...!!!
Ah...! Grande "Costa Pereira"...que bom é tê-lo como amigo, conterrâneo companheiro da mesma idade. O Dezembro já está próximo, para se festejarem os seus "27 anos de idade, digo bem ?" ou devo ler ao contrário?
Para vocês ambos a minha eterna amizade.
Teixeira da Silva.

De jts a 01.11.2010 às 16:33

Eu bem digo, que é a velhice...!
Quatro erros num texto tão curto.
Vamos lá emendá-los:
Onde se lê, cemitário, deve ler-se, cemitério.
Onde se lê, puoco, deve ler-se, pouco.
Onde se lê, quanro, deve ler-se, quando.
Onde se lê, possívem, deve ler-se, possível.

As minhas descolpas.
JTS

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2007
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D