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Nelson Vilela

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 10.07.08

          Ouvi falar muito nele, nos inícios da década de 60, quando em boa hora o Bispo de Vila Real, D. António Valente da Fonseca reconheceu a soberania de Vilar de Ferreiros na Ermida do Monte Farinha e a colocou  sob administração do Padre Manuel Joaquim Correia Guedes. Estou-me a referir ao Dr. Nelson Vilela, um consagrado poeta e prosador que só por ingratidão ou ignorância das nossas editoras  não tem a sua obra divulgada à medida da respectiva amplitude e importância cultural. E verdade seja dita, que se não fora uma dilecta conterrânea minha me ter alertado para esta realidade, por espontaneidade minha também o não fazia, confesso. Isto porque embora admirador seu, apenas uma vez o vi e nos cumprimentamos por ocasião do lançamento de um livro do Luís Jales de Oliveira, na vila de Mondim.

Mas quem é o Dr. Nelson Vilela?

          Nelson Vilela, nasceu em Vilarinho da Samardã, em 1933, oitavo filho de uma família numerosa (14 irmãos). Cursou Teologia no Seminário de Vila Real. Aos 18 anos publicou o seu primeiro livro de poesia "Saudade", com autorização do Bispo D. António Valente da Fonseca que por ele nutria muito carinho e o encorajamento do ilustre filólogo Mons. Ângelo do Carmo Minhava. Que do Nelson fez saber : " Homem de raras qualidades, mas muito modesto, podia, se outro fora o seu temperamento, impor-se no arraial das letras..."    Em Portugal só quem for aventureiro é que trepa...

          Nunca tendo exercido qualquer ónus eclesiástico, pediu e obteve dispensa desse múnus e dedicou-se ao Ensino, após se ter licenciado em Filologia pela Universidade do Porto.  

         Leccionou em Mondim de Basto, Nova Lisboa,  Évora, Alcácer do Sal, Chaves e Braga. Pertence à Associação dos Autores de Braga e já fez parte da Direcção. Das muitas obras suas, realço: Saudade, Asas de Espuma, Mar e Sombra, Inquietação,  Pedaços do mesmo sonho, Regresso, Sempre em Caminho, Livro de Carla, O Sal e as Lágrimas, entre outros.  

          Um distinto poeta e prosador  comprovinciano de Torga, e natural da aldeia transmontana que marcou e acolheu Camilo Castelo Branco, em menino e moço, e cuja   simplicidade e modéstia do autor não é motivo para desculpar a  amnésia de certos  editores e livreiros. O valor a quem o tem!

          Obrigado Maria da Graça, pelo alerta, também como transmontano de Basto, com ele canto, agora :

          " E orgulho tenho de nascer assim

             Podem rufar tambores, arrais e viras

             É de lá que sou... foi de lá que vim."

                                           In Sempre em Caminho, de Nelson Vilela

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publicado às 16:58


115 comentários

De aquimetem, Falar disto e daquilo a 18.07.2008 às 14:06

Dos muitos comentários até ao momento feitos a este post que consagrei ao Dr. Nelson Vilela, vou-me atrever a publicar um que fora deste espaço, encontrei ontem, algures, que não vem a propósito revelar aqui. Ora, observem-no : " Apenas para dizer que o Nelson Vilela é um dos raros transmontanos em que o seu valor literário e a sua humildade se agigantam. Além da sua humildade tem uma grande dose de timidez que o faz passar despercebido dos media e de grande parte da sociedade.
Tenho o privilégio de muito ter aprendido com ele. Com os seus conselhos e, também, muito com com os seus silêncios. Não é fácil encontrar um Homem de Letras e da Cultura tão discreto.
Mas o que me motiva e admiro mais é o estímulo que me tem dado.
Por exemplo, anda para aí tanta gente a falar de Miguel Torga, alguma gente que em vida até lhe cortava na casaca e agora trepa-lhe pelo cadáver para se tornarem mais notados. Mas das pessoas que podia falar sobre a obra do Poeta da Montanha, é Nelson Vilela. E ninguém o procura, mesmo a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Outro caso paradigmático é António Cabral. Em vida foi esquecido e até menorizado e são os mesmos que lhe estão a moer os ossos. Nelson Vilela era um dos maiores amigos de António Cabral mas ninguém lhe pede para falar sobre o Grande Poeta do Douro.
Vou-me calar dizendo que Nelson Vilela é uma das maiores figuras transmontanas vivas, apesar de ser quase um ilustre desconhecido
Jorge Lage"

De Paula Lança a 21.07.2008 às 17:30

Olá!-Lamentálvelmente Portugal tende a desbaratar os grandes valores;vem sendo já um hábito:
O DAS QUINAS

«Os Deuses vendem quando dão
Compra-se a glória com desgraça
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!» mensagem


Os que mandam
É que vendem tudo quando dão...
Corações largos
E mão aberta.
Até das lágrimas dos de nada ter
Fazem questão de ser oferta.

Dão o que lhes deram
E não podia, por herdado.
Só que habituados a ter
Não souberam
Possuir o que com honra foi doado

E o que no sacríficio de sangue
Foi tido
Na desavença foi dado,
Como se fosse devido
Por presságio de mau fado...

Ó mar salgado, quanto do teu sal,
São lágrimas de Portugal!----Mensagem

Do SAL E AS LÁGRIMAS de NELSON VILELA

São


De aquimetem, Falar disto e daquilo a 21.07.2008 às 19:57

Aqui além das felicitações pelo vosso comentário à volta do" SAL E AS LÁGRIMAS" que Poetas como o Dr. Nelson com raro talento exaltam, também a mim o apelido da Paula me fez regressar aos meus tempos de menino e moço quando em Mondim conheci com esse apelido o saudoso Dr. Lança. Se é da família, os meus redobrados parabéns

De jts a 28.07.2008 às 17:02

Obviamente, que também eu não poderia ficar indiferente, à riqueza dos comentários tecidos pelos antigos alunos, em volta da figura extraordinária do Prof. Dr. Nelson Vilela.
Em Abril passado, e também pela grande amizade que nos une, desde a primeira vez que chegou a Mondim de Basto, tive a honra de o convidar, assim como a todos os professores do antigo Externato de Nossa Senhora da Graça, para estar presente numa homenagem, que a Junta de Freguesia quiz prestar aqules que por obras e valores de todos conhecidas, fizeram de Mondim, uma terra mais culta. "Contar, Cantar e Pintar Mondim", ficará para sempre gravada na memória de todos, como uma jornada de cultura, um encontro da história do passado com o presente e o reconhecimento desta terra, a quem dela, deu o melhor de si.
Mas, neste espaço que em boa hora o meu amigo e conterrâneo "Costa Pereira" , criou para homenagear o grande poeta, "NELSON VILELA", gostaria também de apresentar em pequeno poema, que ele publicou no seu livro, "Mar e Sombra", já lá vão 46 anos e que me tocou de modo muito especial:
Dizia o poeta, a quando da oferta que me fez dessa obra: Ao Zéca Barroca, oferece o autor, Nelson Vilela. E disse mais:

INÉDITO:Todos nós somos dois mundos
Dois sonhos e ilusões
Dum lado espírito, dentro a sombra
Um em prece, outro em maldições...!

E desta obra, o poema da minha vida:

A Luta

Escrevo...escrevo sempre.
Mas, às vezes, escrevo e choro!...
Estou doente...
Todo o meu eu me doi.
As minhas artérias gritam em coro
E choro
Porque o meu "eu" de outrora se foi...

Calor insuportável.
É a febre a minar-me a alma.
Que vida esta,
Ó Lázaro miserável!...
É um forno a tua testa
E os teus dedos crispados
São fogos - fátuos ignorados
Da luta de que nada resta.

E dizem que os poetas
Não sentem o que dizem!...
E dizem que os poetas mentem!...
Ah! os poetas sentem o que dizem;
O que não dizem, é o que sentem.
Têm uma triste herança;
O melhor que lhes vai dentro
Não o dizem,
Que a expressão o não alcança...


Obrigado Professor Nelson, por toda esta riqueza, que me deu...
E obrigado "Costa Pereira", por com esta tua porta, nos proporcionares, homenagear, este homem extraordinário, que tivemos a sorte de ter na nossa terra.
Um grande abraço a todos e os meus cumprimentos muito sinceros, à D. Maria Altina, aos seus filhos e seus netos, que já são a semente da cultura Vilela.

Teixeira da Silva


De Isabel Maria a 29.07.2008 às 18:43

Linda esta homenagem ao Poeta, belo o poema e forte ao mesmo tempo,demonstrando também a grande sensibilidade da pessoa que no lo proporcionou.Este blog dá gosto espreitar.
Que Deus continue a iluminar este escritor.
Um grade beijo ao sr. Teixeira da Silva

De jts a 29.07.2008 às 21:29

ISABEL MARIA, não sei se é antiga aluna do Dr.Nelson ou se é apenas uma amiga, cá da região; seja como for, fico contente por verificar que haja tanta gente interessada em homenagear o grande poeta, com os seus comentários de saudade e gratidão,pela honra que ele - Dr. Nelson - nos concedeu de termos sido seus alunos.
Espero que se faça justiça e no futuro se reunam os seus amigos, para lhe prestar uma homenagem digna e verdadeiramente concentânea com o seu valor de professor e homem bom...!
Minha amiga, obrigado pelas suas simpáticas palavras e continue a espreitar a cultura, que é a grande força do futuro.
Um abraço, Teixeira da Silva.

De Isabel Maria a 30.07.2008 às 19:59

Olá Sr.Teixeira da Silva!
-Grande ideia essa da reúnião de amigos do Poeta, e com pernas para andar.
Quanto a quem eu sou, basta ser transmontana.
Citando um grande amigo do Dr.Nelson Vilela , um distinto Capitão e escritor também, Dr.Jorge Lage, que já aqui veio.demonstrar-lhe o seu apreço:-"Ser transmontano é uma religião que só aceita ter acima ,a religião católica, que se tem que defender, com vitórias e derrotas: mas nunca desistindo, ser transmontano é honrar a memória dos nossos ancestrais e as raízes telúricas que nos legaram.Ver um transmontano é ver um amigo, alguém que nos é proximo."
Ora, é por isto tudo que estou agora aqui.
Quanto á tal reúnião, se o amigo começar a pensar, ela logo acontece; o senhor também é transmontano.Saudações transmontanas!...

De jts a 30.07.2008 às 21:35

Não tenho palavras para agradecer, a todos quantos, se têm interessado por esta janela, através da qual nos tem sido possível, falar do grande poeta, Dr. Nelson Vilela.
Mas, a minha maior gratidão, obviamente que vai direitinha para o COSTA PEREIRA, proprietário deste "blog", que em boa hora nos quiz oferecer a todos.
Minha cara amiga, ISABEL MARIA, realmente ser Transmontano ou Trasmontano, é uma honra que não está ao alcance de todos.
Tivemos nós a sorte de nascer nesta província sagrada, onde eu aprendi a dizer duas coisas:
Para cá do Marão, mandam os que cá estão;ou então, dizer que os transmontanos, são dos que "ANTES QUEBRAR QUE TORCER", por ALEU, sempre avante.
Falava-me para eu levar por diante a ideia da homenagem ao grande poeta; sou amigo dele, desde há 48 anos e nunca deixarei de o ser; oportunamente, terá notícias desta ideia.
Um abraço amigo do,
Teixeira da Silva

De Carla Vilela a 31.07.2008 às 11:12

Não posso ficar indiferente a todos estes comentários em torno do meu pai, enquanto poeta, professor e pessoa! Fico feliz por saber que, apesar da sua gigantesca humildade (como alguém disse tão bem), é uma pessoa reconhecida e apreciada muito além do seio familiar. Na verdade, entusiasmou-me esta ideia de se lhe prestar uma homenagem! É que, no nosso país, infelizmente, este tipo de acções só se realizam quando as pessoas visadas já cá não estão para receber o merecido aplauso e abraço dos que os admiram. Eu sou a favor de que não devemos jamais desperdiçar a oportunidade única de dizermos a alguém o quanto a apreciamos e valorizamos o seu trabalho, por isso contem comigo para esse magnífico encontro!

De jts a 31.07.2008 às 18:06

CARLA...!
Pode desde já contar também comigo, para realizarmos oportunamente, a festa do poeta "Nelson Vilela".
Não tenhamos pressa, para que as coisas não sejam feitas no ar.
Vou contactar com os antigos alunos e professores, que obviamente serão os primeiros, a desejar participar na festa.
A seu tempo, lhe darei notícias.
Cumprimentos à D. Altina e ao Pai.
Teixeira da Silva

De Maria da Graça a 01.08.2008 às 19:27

Olá a todos!-Obrigada ao senhor Costa Pereira!-Aqui está este grande senhor a provar que é mais que certa a definição sobre os transmontanos, do sr.Dr.Jorge Lage .
Quero aqui expressar a minha gratidão e admiração ao Professor,ao Escritor e à sua lição de vida através da simplicidade e humildade.Agradeço que desde já ,contem comigo para a homenagem ao Sr.Doutor Nelson Vilela.Tenho a certeza que há muitos amigos, que não gostam de falar para computadores e coisas deste género;mas que ao serem contactados ,não só concordam como vão aplaudir, ou não fosse já o Poeta considerado um Mondinense, depois de ter entrado na quinta dos Machados para testar os pêssegos e se ter lançado de pote do Salta-carneiros, no Tâmega, e de ter aquela trabalheira toda a explicar, as velas pandas, os carros de bois,com as malgas de marmelada, tudo carrapitado nos postigos das varandas, da rua das Lages, do Ginho , em Mondim de Outrora.É ponto assente que é um mondinense.Obrigada.
Eu não tenho poema para deixar aqui ao Professor; mas ouvi ,que gosta de António Cabral, que era amigo e vou deixar um pedacinho do livro que por acaso pedi no netbila,nestas coisas da net, sem saber se seria ouvida ,e recebi o livro enviado pessoalmente pela sra.D.Alzira Cabral,o que me deixou ,muito sensibilizada.Obrigada á Senhora também.

De O Rio que Perdeu as Margens ANTÒNIO CABRAL

A Rola Distraida
Pousas-te naquele esteio, saíste e voltaste a pousar, sei lá se ironicamente, só para me dizeres que não sei voar.O que tu não sabes é que te acompanho desde a velha oliveira do cômoro onde me ficou uma fresta vigilante dos olhos.
Os olhos também crescem e rapartem-se aos bocadinhos pelas coisas e paragens, quando as vêm com gosto, pegando então nelas e guardando-as bem dentro de si onde continuam a luzir à beira dum sítio verde chamado alma, até que...Ouves tu, ó minha rola distraída?Não fujas, oh! não me fujas também.Caramba!.não sou nenhuma gaiola.

Beijos para a Familia Vilela toda

Maria da Graça Borges de Matos

De Nelson Vilela a 02.08.2008 às 19:56

Por mais que me enamore do silêncio que esta terceira idade me estende como neblina da tarde, sou forçado a abrir ainda as portas do coração, para, ao menos, estender as mãos agradecidas a quem me tem dirigido tantos mimos, que, sinceramente, não mereço.
Vamos por partes: amor à terra que nos viu nascer e crescer amando-a, esse elogio, acho que mereço. Eu o confesso:
Minha terra é outra, lá longe,
onde, serra acima, ovelhas e neve
bordam tudo de brancura...
Onde Deus, sem mar, imaginou
mastros e caravelas
E onde pedras e estrelas
Dormem à mesma altura.

E sou doutros mundos
"Dum Reino Maravilhoso"?
Talvez...
Se é maravilha, mesmo esquecido,
Sempre orgulhoso
De ser português.

É de lá que eu sou:
De entre serras, que rios
Cortam às tiras,
E orgulho tenho de nascer assim.
Podem rufar tambores, arraiais e viras
É de lá que sou...foi de lá que vim.

ou ainda
Sacudiu-te um raio, lá de trás da serra
E, aí vieste tu, Adão de Novo
Aos trambolhões ...
Oh! Homem tímido mas de sangue quente!
Se Eva houve, foi para ser da gente,
Por que hás-de, pois, mendigar perdões?...
do livro Sempre em Caminho

A terra da origem, a terra da gente é sempre o ninho que cada andorinha recria e cria em cada primavera, sempre no mesmo beiral; a terra da gente é sempre a imagem, mesmo no lusco-fusco da vida, do beiço, dos braços, feitos leito no embalo da nossa mãe: "dorme, dorme meu menino
que a mãezinha logo vem"...
e não é que vem mesmo na labareda da saudade?...
Disse eu que ia por partes. Então vamos à segunda, até para fugirmos ao sentimentalismo do "Paraíso Perdido".
Que hei-de fazer eu para agradecer ou obsequiar tanta coisa linda e emotiva, grandemente exagerada, embora, que este blog tem dito de mim, pobre, "dez reis de gente", desde Costa Pereira, meu companheiro de outras lutas, de há meio século, em redor de Nossa Senhora da Graça - a Estrela da manhâ - que enlaça Minho e Tás-os-Montes, passando pelos meus antigos alunos, a quem a todos saúdo na pessoa da Maria da Graça Borges de Matos. Deixo para o fim dois nomes: o Jorge Lage e o José Teixeira da Silva.
O Dr. Jorge Lage é um conhecido e reconhecido jornalista, escritor, homem de acção e da cultura, transmontano de "antes quebrar que torcer".
O José Teixeira da Silva (para mim Zeca Barroca)-trepando do fundo da calçada, subiu ao topo, não cansado, não vencido, mas vencedor, do nada se fez o homem que hoje é - um mondinense culto, activo e um grande animador dos eventos culturais da terra.
Por que falo, em especial, destes dois homens das letras?
Tão só para dizer que as suas, opiniões sobre a minha pessoa, têm de ser bem crivadas, dado a grande amizade que me dedicam, a quem, como é meu dever, retribuo.
Para terminar, transcrevo o comentário - apreciação do meu livro "O Sal e as Lágrimas" feito pelo meu querido professor de Literatura - Padre Ângelo Minhava:
O SAL E AS LÁGRIMAS
A Mensagem meio século depois
Por P. Minhava
Nélson Vilela é um escritor transmontano, mais precisamente natural de Vilarinho da Samardâ, pequena aldeia onde o grande Camilo Castelo Branco passou os dias mais felizes ou menos infelizes da sua vida. Pequena lhe chamei eu, mas grande lhe pudera chamar, dado o número e a qualidade de "seus filhos ilustres".
O Dr. Nélson Vilela, que lecciona lá por terras do Minho, após outros rumos e paragens, é e sempre foi um poeta de grande vibração e poder expressivo. A sua poesia é bem portuguesa, sobretudo quando se deixa levar nas asas da saudade. Isso, porém, não impede que o lírico tenha por vezes outras modalidades, sabendo-as tratar com objectividade e destreza.
Homem de raras qualidades, mas muito modesto, podia, se outro fora o seu temperamento, impor-se no arraial das letras... Conhecendo-o muito bem desde os seus verdes anos, devo dizer agora que fiquei surpreendido com a sua audácia em parafrasear a "Mensagem" de Fernando Pessoa!
Sim, este livro (O Sal e as Lágrimas) é um alternar contínuo dos versos de Fernando Pessoa e as paráfrases poéticas de Nélson Vilela. Uma salmodia histórica e patriótica em dueto. Percorrem os dois, pari passu e de mãos dadas, os caminhos ...

De Nelson Vilela a 02.08.2008 às 20:07

cont )
...de Portugal desde os alvores da nacionalidade até aos últimos tempos...que não serão os tempos últimos.
E o certo é que Nélson Vilela aguenta a caminhada: mostra-se agradável companheiro de viagem, um novo telémaco sob a égide de um novo Mentor!
Creio ser este um dos melhoramentos dos doze livros do autor.
A capa (obra de José Ramos) com a figura vaporosa e expressiva do Adamastor empresta-lhe um brilho excepcional.

"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena".

Comentário de Nélson Vilela

Tudo valeu a pena,
Se entre os destroços
Do quebrado canto,
Sem glória nem história para contar,
Viver fulgente e com beleza, Madre Língua Portuguesa
Para entender-se, florir e amar.

Só por isso valeu a pena
E redime erros nossos
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cont ) <BR>...de Portugal desde os alvores da nacionalidade até aos últimos tempos...que não serão os tempos últimos. <BR>E o certo é que Nélson Vilela aguenta a caminhada: mostra-se agradável companheiro de viagem, um novo telémaco sob a égide de um novo Mentor! <BR>Creio ser este um dos melhoramentos dos doze livros do autor. <BR>A capa (obra de José Ramos) com a figura vaporosa e expressiva do Adamastor empresta-lhe um brilho excepcional. <BR><BR>"Valeu a pena? Tudo vale a pena <BR>Se a alma não é pequena". <BR><BR>Comentário de Nélson Vilela <BR><BR>Tudo valeu a pena, <BR>Se entre os destroços <BR>Do quebrado canto, <BR>Sem glória nem história para contar, <BR>Viver fulgente e com beleza, Madre Língua Portuguesa <BR>Para entender-se, florir e amar. <BR><BR>Só por isso valeu a pena <BR>E redime erros nossos <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Qu</A> má fortuna nossa <BR>Nos doou. <BR>Pois se a nau as praias já não roça, <BR>A fala do nauta e do poeta, <BR>Essa, é de todos e ficou. <BR><BR>(Texto publicado em "A Voz de Trás-os-Montes ", 14/11/1996)

De jts a 02.08.2008 às 22:02

Este blog, lembra o "Pai Eterno", quando de dispôs a fazer o mundo...
Ao terceiro dia, disse: rasguem-se os céus e haja luz e a luz iluminou o mundo...
O Prof. Dr. Nelson Vilela, apesar de ser já noite cerrada, iluminou o nosso espírito, com uma extraordinária aula, como só ele sabe dar.
A língua portuguesa, a poesia, e a confirmação do seu amor a Mondim, foi o tema que escolheu.
Os seus antigos alunos, voltaram a ser crianças e com redobrada atenção, saciaram famintos, a ceia da sabedoria, que o Mestre pôs na mesa, para todos nós.
Quem sou eu para comentar, o que não sei comentar...
Apenas sei, que tudo oo que sei da língua portuguesa, aprendi no velho Externato de Nossa Senhora da Graça. Nesse tempo ( já lá vão 40 anos), o tempo não tinha tempo...por isso eu sou desse tempo, em que o tempo chegava para fazer tudo:
Estudar, conversar, jogar a bola, e até cantar o fado, para não falar dos opíparos "arroz de frango", que em tempos de lazer, se deglotiam na companhia dos melhores amigos.
As minhas felicitações, muito sinceras, Professor...
Gostei muito, mesmo muito, que tivesse participado também neste blog, que contém pequenos pedaços de alma e um sentimento infinito, dos seus alunos e dos seus amigos.
Um grande abraço.
Teixeira da Silva


De Maria da Graça a 07.08.2008 às 12:49

Olá ,srJosé Teixeira da Silva !
Tinha que cá deixar ao senhor,o meu muito obrigada.
Em primeiro lugar, por ter na sua livraria da zona verde em Mondim, os três primeiros livros,que li, do nosso Poeta, em segundo lugar, porque sinto que o Sr.em Mondim, é uma candeia que vai á frente e alumia duas vezes; e terceiro, para o felicitar pelos seus livros:»Contos Populares da Minha Terra» e »Acreditei» do qual este verso que é muito real e me tocou:

"MORTE"

Morte...!
Chegas às escondidas e
Nunca dizes quando vens!
Aproximas-te invisível,
Traiçoeira e macabra e,
como ferro em brasa,
Trespassas nossos corações
Tangidos de dor.

Vulcão
Em lava
Vazando a alma e
Varrendo tudo em
Teu redor.

Oh morte estúpida
Que não paras de
Perseguir toda a gente
Sejam ou não inocentes...!
Todos arrastas
Sem piedade...
Inclemente
Aberrante,
Cruel e infernal...

P`ra ti,
Tudo está mal...
A vida despojada dos corpos
Segue a eterna caminhada
Por vales indefinidos--
Até um dia...

Irmã morte,
Ao menos uma vez
Sê consciente,
Não mates a toda a gente
Altera a tua lei...

E, porque hoje
Não me ouviste,
Ficarei assim mais triste
E....
Nunca te perdoarei..."!

Do livro "ACREDITEI..".
JOSÉ TEIXEIRA DA SILVA

Só hoje conheci estes livros.Um grande beijo para o Senhor, e ainda bem que é esse amigo...de todos.

De jts a 07.08.2008 às 17:09

Maria da Graça Borges de Matos...!
Não será - digo eu - este blog, o local ideal para farmos da nossa infância e da nossa família.
Mas, as tuas palavras tão cheias de amizade e carinho, não me deixaram alternativa e tenho que falar, um pouco de nós.
Sabes, Maria da Graça, a tua mãe - D. Alzira, a quem aproveito para cumprimentar - era a melhor amiga que tinha a minha mãe. E ainda tenho uma fotografia, das duas amigas tirada no Outeiro junto às fragas, pelo teu tio Armando Borges, já lá vão una bons sessenta anos.
Quando o teu pai namorava nas escadinhas, junto à loja da tua avó, era eu que levava os recadinhos, porque o teu pai, era um excelente músico da Banda Mondinense de que eu também fazia parte e era dirigida pelo teu tio António Reis.
Lembro-me do casamento dos teus pais, porque véramos vizinhos, porta com porta...
Que saudades eu tenho desse tempo, Maria da Graça...
Havia mais respeito, melhor educação, mais humildade e principalmente o reconhecimento de todos nós, por quem nos fazia bem.
Obrigado pelas tuas palavras, que ma encheram de vaidade...
Eu não sou um escritos, longe disso... vou escrevendo umas coisas, enquanto se me não apaga a memória.
Além dos dois livros que citaste de minha autoria, há o primeiro, que é a história da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, onde ainda trabalho. Uma obra que contempla toda a história desta Associação, desde a sua fundação, até hoje.
Tenho mais alguns projectos em mente, que gostaria de realizar antes de um dia ser chamado à casa de Deus. Veremos.
Um beijinho de grande consideração e amizade.
Teixeira da Silva

De jts a 07.08.2008 às 17:14

Correcção: "onde se lê FARMOS, na 2.ª linha,
deve ler-se, FALARMOS.

Teixeira da Silva.

De Maria da Graça a 07.08.2008 às 20:17

Sr.José Teixeira da Silva, é claro que me fez choramingar um bocadito, falando do namoro dos meus queridos, Zeca Matos e da Zirinha, o primeiro largou-me de repente depois de me ensinar as tabuadas todas e os ossos do corpo humano, e ainda não me recompuz,foi o que se chama de amor mal resolvido,a segunda tem 83 anos, é a minha companheira, manda e desmanda e planta as couves para o caldo verde dela, de enxada em punho.tem quintal.Fiscalizou-me toda a vida e continua, e andou-me nessa vida de enviarem bilhetinhos, e já nesse tempo!...Velhaquinha...
Eu lembro-me muito bem da Sra D. Quinhas sua mãe e do seu pai o Sr.José, eu ia lá muito a casa ao Escourido,às fragas;era tão bom.O Poeta que nos desculpe; ele também é uma pessoa tão humana, e além disso precisa saber com quem anda a lidar, não é?
Eu já li o seu livro de contos e também me sinto lá dentro dele.A capa , é o que se avista das escadas da minha avó da rua velha, já o menino Bigé tinha desenhado no livro do Ginho;-o Manel Comica , andei a dançar com ele,pois ele estava sempre na casa da tia Rosa, o Sr.Oliveira dos tecidos, prantava-se na minha avó Marquinhas e toda a gente ia lá buscar os tecidos , mesmo a Sra.sua mãe,o Zé do Eiró e a histório do petróleo, também me lembro,o Abilio Cego com a varinha de oliveira, os olhos dele eram vivos e escuros e notava-se neles inteligencia, a prof.D.Palmira era prof. de um dos manos, a casa do Rêgo era a minha Casa de Trás-Montes , estava lá sempre, ca minha amiga do peito Rozinha e as suas manas todas,mais a D.Adelininha sempre com paciência para nos aturar;Lembro-me sim dessa beleza toda de sentimentos puros que era Mondim e ainda é ; pois as novas gerações vão ficando com o testemunho dos vossos livros e vão ter orgulho em seguir, pelos mesmos carris, tenho a certeza.
Parte das pessoas que estão fora ,é porque a vida as obriga; mas a alma está lá.Eu tenho muito amor e respeito a tudo que é da minha terra.Além disso, dormi mutas vezes na Sra da Graça com a minha avó,quando iamos arranjar os altares ,lembra-se?-Tenho Mondim e os seus valores,sempre no coração.
Gostei de comunicar com o Senhor e espero que possamos divulgar nem que seja um pouquinha a obra do Sr.Director Nelson Vilela.Um abraço
Sempre ao seu dispor
Maria da Graça

De maria da graça a 08.08.2008 às 23:27

corrigir as palavras: Rosinha e Recompus

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