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Parabéns Dr. Nelson

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 03.09.08

N. Vilela

          Sim, senhor! Nunca pensei que que a minha modesta homenagem ao poeta e prosador transmontano Nelson Vilela neste meu blog "Ao sabor do tempo" viesse a merecer tamanha apreciação por parte dos amigos e admiradores deste ilustre filho de Vilarinho da Samardã, mas o facto é que assim aconteceu: 82 comentários até este momento! É obra! Pela minha parte, uma vez mais: parabéns Dr. Nelson.

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publicado às 08:16


21 comentários

De Anónimo a 15.01.2009 às 19:17

PELO REINO MARAVILHOSO Dezembro 2008
NELSON VILELA
Para falarmos do que é o nosso orgulho e vaidade, demos a primazia a quem cria beleza e arte no modo de sentir e de dizer.Oiçamos a voz de Torga,
já meio entorpecida do cansaço dos anos, mas bem sibilante com aqueles «eintes» tão denunciados das palavras que contêm«em ou ens», numa fonia bem caracteristica de toda a região vila-realense.Diz:
«Vou falar-vos dum Reino Maravilhoso».Embora muitas pessoas digam que não, semmpre houve e haverá, reinos maravilhosos neste mundo.O que é preciso para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original, diante da realidade e o coração depois não hesite.Ora o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe como é dos mais belos que possam imaginar.
Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores, para que a distância os torne mais dificeis e apetecidos...
Vê-se primeiro um mar de pedras.Vagas e vagas, sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador.Tudo parado e mudo.Apenas se move e se faz ouvir, o coração no peito inquieto a anunciar o começo duma grande hora!De repente rasga a crosta do silêncio, uma voz de franqueza desembainhada:
__Prar cá do Marão, mandam os que cá estão!...
Sente-se um calafrio!...
__Que penedo falou?

Portugal (Miguel Torga)

Pois, acrescento eu:penedo algum, por mais imponente , altivo e inacessivel à macieza dos nossos pés, ou rasteiro qual tapete festivo á nossa passagem, já no topo de tudo, fala assim:
Naquele tu-cá, tu-lá e naquela linguagem singela que nossos antepassados cinzelaram na rudeza das suas mentes, e consequentemente, as mentes ainda meio rudes que somos nós.O poeta do nosso orgulho inicia e indicia, o seu, nosso Reino Maravilhoso, pelo portão altaneiro de entrada- O Marão - colosso guardião sem cão de fila porque a sua rudeza altiva, a lembrar o lendário S.Cristovão, que carregou aos ombros, mais que o mundo todo, o próprio feitor do mesmo.Eu deixo por hoje, o Marão para trás,e convido-vos a visitar S.Leonardo da Galafura, que o Poeta conhecia e frequentava e cujas veredas percorreu nas suas jornadas em honra de S. Hurberto, em demanda das tão esquivas quão velozes perdizes que,uma vez disparadas à velocidade de cruzeiro, nunca ninguém mais punha chumbo sobre o seu dorso.
Galafura é um cabeço de xisto feito altar e miradouro.Miradouro - repare-se no signo linguístico miradouro- porque em forma de púlpito, a vista se distende em todas as direcções, em infinitas e variadas paisagens de suprema e surpreendente visão.

(Continua)...

De Anónimo a 16.01.2009 às 18:47

.../...Continuação

Se voltados para o Douro, nossos olhos abismam-se no fundo da lonjura, onde serpenteia a silhueta do rio, com os tipicos rabelos, de asas soltas à caricia do vento.Alargada a vista, de cá, e de lá do abismo as imensas escadarias, os bardos a semear esperança ou a expor já ao sol o famoso néctar que dá proveito e nome a uma cidade, que nada tem a ver com ele.Mas se a vista se encurta e olha aqui, bem junto a nossos pés,de baixo de nós se escondem as grutas das Moiras Encantadas que por cá ficaram a enfeitiçar, para sempre as nossas crenças - o Sésamo da nossa longínqua infância.Mas S.Leonardo é também.Fica à nossa retaguarda ,ou enfrente, segundo a posição que tomarmos.Capelinha branca, a de S.Leonardo quase asa, não de andorinha, que é demais para ela o espaço sem limite, mas asa alargada e dominadora de águia que se distende ou planeja espaço fora, em direcção ao infinito a absorver o cheiro acre do rosmaninho.Pelo lado de fora nas costas do altar, inscrita na parede, a tão graciosa quão grandiosa descrição que Miguel Torga faz deste Paraìso:

"À PROA DUM NAVIO DE PENEDOS"

A navegar num doce mar de mosto
capitão no seu posto de comando
São Leonardo vai sulcando as ondas
da eternidade
sem pressa de chegar ao seu destino
...
Lá não terá socalcos nem vinhedos
na menina dos olhos deslumbrados;
doiros desaguados
serão charcos de luz envelhecida
...
Por isso é devagar que se aproxima
da bem-aventurança,
É lentamente que o Rabelo avança
debaixo dos seus pés de marinheiro
e cada hora mais que gasta no caminho
é um sorvo a mais de cheiro
a terra e a rosmaninho.
(Ordonho, 2 de Outubro de 1961)

E basta esta alargada metáfora do poeta, quase fazendo do Santo um garoto traquina que vai desgastando o tempo no folguedo e retardando assim o recado que o pai encomendara ou a metáfora primária do marinheiro capitão que não tem pressa de anunciar ao seu Senhor o sucesso da longínqua viagem, mas vai-se ficando na comtemplação e gozo da descoberta consumada.










De mgraça a 17.01.2009 às 00:25

Parabéns Dr. Nelson Vilela , pela dedicação , admiração e deslumbramento com que nos fala e mostra Miguel Torga .Sente-se que é a pessoa certa para falar do Poeta do Reino Maravilhoso, e adivinha-se o grande carinho que lhe dedicava também.
Deixo aqui em nome dos seus antigos alunos,
um grande beijo de admiração e muito carinho também.
Respeitosamente
Mgraça

De aquimetem, Falar disto e daquilo a 17.01.2009 às 12:11

O Dr. Nelson deve sentir-se orgulhoso por ter tantos amigos! Mas face aos comentários, também deve perceber que nem todos têm a mesma energia que a verdadeira amizade gera...Parabéns aos mais calorosos....

De Anónimo a 23.01.2009 às 18:51

JUIZO FINAL

Depois de tudo o que passou
Depois de tudo o que fez,
O homem regressou.
Cumpriu o destino, chegou
Na hora sua, na sua vez.

Quem lhe disse que chegasse,
Foi o mesmo que lhe disse que fosse,
Fosse e cumprisse,
Chorasse ou sorrisse,
Mas que fosse...

E foi. Cumpriu o mundo todo
E percorreu o seu destino.
Horas extras lhe fizeram barba.
Horas muitas lhe tiraram o medo
Que de bem cêdo
Já deixou de ser menino,
Que brincou.
Foi. Deixou sinal
Nalguma folha amarelada
Ou numa pedra da calçada.
Mas não voltou.

De Anónimo a 09.02.2009 às 19:28

NO MORRO DE S. LEONARDO
TORGA FEZ UMA POESIA.
O RIO DOURO DITAVA
E TORGA SÓ ESCREVIA.

De aquimetem, Falar disto e daquilo a 09.02.2009 às 20:07

Sim! O Torga era um admirador da paisagem transmontana e duriense. Os inimigos do nosso património natural tinham também no Poeta um inimigo deles. Não é por acaso que a chamada "esquerda" - que é isso ?- não lhe deu grande acolhimento passado pouco tempo depois do 25 de Abril . Não alinhou como..., como não alinharam muitos outros democratas, percebeu a tempo da marosca de muitos deles. Era mais um que certamente viria em defesa das Fisgas e do Tâmega, que bem conhecia. Do poema creio ser um dos que consta no miradouro de São Leonardo de Galafura, Peso da Régua, local que Torga gostava de visitar e eu visitei também o ano passado . Merece a pena visitar.

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